Cuidando do fim: acolhendo a dor das despedidas
- Adelice Pereira

- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de dez. de 2025
Sim, é o fim. Não precisamos aliviar: é pesado assim mesmo. O rompimento de um relacionamento amoroso é um luto, nem sempre autorizado. Este texto é um convite a dar o devido peso a esse momento, reconhecer o estado de vulnerabilidade que surge quando uma parte importante da vida se vai.
Percebem o quanto há de esforço para estar bem, mesmo no fim? Como se não sofrer fosse a confirmação da decisão certa, investe-se o que ainda resta de forças em tentar ficar bem, ou, muitas vezes, apenas em aparentar estar bem. Espera-se que as pessoas “lidem bem com o término”. Lidar bem? Será? Penso que temos que admitir o caráter sofrível desta ruptura e sofrer, sim, dar espaço para a despedida, ritualizar, receber cuidado.
O fim de um relacionamento pode implicar a perda de muitas coisas: de um lugar, de uma rotina, de amizades que se afastam, de pessoas que foram parte da família e que inevitavelmente não terão mais o mesmo espaço na sua vida, nem você na delas. Algumas escolhas doem, mesmo quando são legítimas.
Percebo os términos como crises de vida que exigem o reconhecimento do seu potencial de desestabilização e sofrimento emocional. Nem toda dor tem a ver com dependência ou fragilidade: quando se ama alguém por muitos anos, essa pessoa ocupa muitos lugares, não se resume apenas ao amor, perde-se um tanto de segurança, de parceria, de momentos compartilhados. É triste o fim desse algo tão singular, esse “nós” que não existe mais.
É possível autorizar-se a chorar, sentir, mesmo que seja um choro carregado de dores e também de gratidão pelo que passou. Sim, pode haver espaço até para a contradição. Que possamos acolher esses momentos de despedida com o cuidado que merecem, sendo compassivos conosco e com as pessoas que estão vivendo experiencias de ruptura. Não é porque uma decisão foi consciente que ela não trará sofrimento. É preciso acolher, sem julgar. Pode doer, muito. Vai demandar reorganizar a vida, refazer os dias, ser outra versão de si no mundo, em um mundo que também será outro.


