Por que a psicologia?
- Adelice Pereira

- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de dez. de 2025
Quando eu era criança, tinha uma curiosidade silenciosa sobre o mundo, eu observava as pessoas à minha volta e ficava intrigada com a forma como viviam, se relacionavam, criavam conflitos e, muitas vezes, pareciam não saber lidar com aquilo que chamavam de “problemas”.
Na minha cabeça infantil, adultos eram seres que deveriam saber viver, tinham estudado, crescido, o que eu achava que eram as condições suficientes para saber sobre tudo, mesmo assim, eu via incoerências por todos os lados, diziam uma coisa, faziam outra; defendiam regras que eles mesmos não seguiam. E aquilo me deixava fascinada: por que as pessoas, por vezes, fazem o oposto do que sabem?
Com o tempo, percebi que essas contradições não estavam apenas na televisão, nas conversas de domingo ou nas histórias que eu ouvia, elas estavam em todo lugar. E, mais tarde, descobri que estavam em mim também, e eu queria entender o porquê? como? Então eu estudei psicologia, filosofia, fui ver o mundo, observei comportamentos nos mais diversos contextos culturais, assisti reality show e novela, me observei, vivi, e nada disso me salva do que eu não sei.
Houve um momento da minha adultez em que eu estava atolada nos famosos “problemas” e eu finalmente aceitei: eu não sei o que é pra fazer. Ri de mim mesma, me vi uma adulta que não sabia viver, bem como os adultos que eu observava na infância. O ser humano é um mistério, a vida é esse aprendizado constante, e eu amo isso.
Sigo buscando respostas e novas perguntas, aprendendo a viver, e eu penso que tem jeito, viu?! minha curiosidade infantil se transformou em trabalho: escuto pessoas que também estão tentando entender como viver, eu acolho suas histórias e, juntas, construímos novos sentidos e jeitos de existir. A psicologia continua movendo e alegrando aquela criança curiosa que achava que, quando crescesse, saberia viver.


