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Entre competir e cooperar: o impacto da comparação nas relações

Atualizado: 30 de dez. de 2025

A ideia de comparação pode ter inicialmente uma conotação negativa, como algo a ser evitado. Mas, do ponto de vista da neurociência, comparar é algo muito antigo na nossa evolução. O cérebro humano avalia o mundo medindo diferenças: ele compara para perceber riscos e segurança, para entender onde estamos na teia social. A comparação surgiu como estratégia de sobrevivência para avaliar qual era o momento de competir, cooperar ou se submeter. 


Só que, na vida afetiva, tanto nos vínculos de amizade como amorosos, a comparação pode ganhar força e nos afetar negativamente. O cérebro social, quando percebe ameaça a um vínculo, ativa redes ligadas à dor, ao medo da perda e à sensação de inadequação. É como se, por um instante, esquecêssemos quem somos e ficássemos totalmente capturados pelo que o outro representa. É nessa hora que fica difícil sustentar a cooperação e evitar a competição. 


A comparação fica mais cruel quando nosso valor pessoal está depositado fora de nós: no olhar do outro e nos construções sociais sobre o que é ser desejável, suficiente, interessante, ou seja em visões idealizadas e até inalcançáveis. Quanto mais a autoestima depende de validação externa, mais a comparação vira sofrimento.


Quando o ideal é pensado como algo fora de nós, como um objetivo a se alcançar e quando não reconhecemos a nossa natureza em constante potencial de transformação as comparações podem ser apenas uma confirmação da ideia de menos valia que temos sobre nós. Meu convite é olharmos para isso com honestidade e gentileza. Não para eliminar a comparação, porque ela é humana, mas para entender que ela não precisa orientar nossas escolhas, nem definir nosso valor.


É importante perceber quais são as nossas vulnerabilidades e quais são as nossas forças e compreender que ambas fazem parte desse projeto singular que forma a cada um de nós.  Talvez seja no resgate daquilo em nós que é único o caminho para construirmos uma identidade autêntica e sermos mais seguros sobre quem somos e o que podemos oferecer ao mundo a aos nossos amores. 

 
 
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