Entre competir e cooperar: o impacto da comparação nas relações
Atualizado: 23 de mar.
A ideia de comparação pode ter inicialmente uma conotação negativa, como algo a ser evitado. Mas, do ponto de vista da neurociência, comparar é algo muito antigo na nossa evolução. O cérebro humano avalia o mundo medindo diferenças: ele compara para perceber riscos e segurança, para entender onde estamos na teia social. A comparação surgiu como estratégia de sobrevivência para avaliar qual era o momento de competir, cooperar ou se submeter.
A comparação pode ser cruel quando nosso valor pessoal está depositado fora de nós: no olhar do outro e nos construções sociais sobre o que é ser desejável, suficiente, interessante, ou seja em visões idealizadas e até inalcançáveis. Quanto mais a autoestima depende de validação externa, mais a comparação vira sofrimento.
Quando o ideal é pensado como algo fora de nós, como um objetivo a se alcançar e quando não reconhecemos a nossa natureza em constante potencial de transformação, as comparações podem ser apenas uma confirmação da ideia de menos valia que temos sobre nós. Meu convite é olharmos para isso com honestidade e gentileza. Não para eliminar a comparação, porque ela é humana, mas para entender que ela não precisa orientar nossas escolhas, nem definir nosso valor.
É importante perceber quais são as nossas vulnerabilidades e quais são as nossas forças e compreender que ambas fazem parte desse projeto singular que forma a cada um de nós. Talvez seja no resgate daquilo em nós que é único o caminho para construirmos uma identidade autêntica e sermos mais seguros sobre quem somos e o que podemos oferecer ao mundo.



