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Saúde mental feminina, uma perspectiva de gênero

Atualizado: 17 de dez. de 2025

A contemporaneidade apresenta uma série de desafios que afetam o bem estar psicológico, vivemos em um contexto marcado por desigualdades socioeconômicas, sobrecarga de informações, mudanças climáticas e, mais recentemente, pela pandemia de COVID-19, que acentuou sentimentos de insegurança e impactou negativamente a saúde mental da população mundial. Entretanto, dentro desse panorama geral, é fundamental reconhecer as especificidades de determinados grupos sociais no que se refere ao sofrimento psíquico.

Quando refletimos sobre a saúde mental feminina, torna-se evidente que as relações de gênero e o sofrimento psíquico estão profundamente interligados. As desigualdades de gênero não apenas persistem, mas também se atualizam, impactando significativamente a saúde das mulheres. Um relatório recente da ONG Think Olga revelou que 45% das mulheres brasileiras foram diagnosticadas com ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais no período pós pandemia. A ansiedade, em particular, afeta seis em cada dez mulheres no Brasil. Além disso, 86% das mulheres relatam sentir-se sobrecarregadas, especialmente aquelas que assumem sozinhas os cuidados com filhos ou outros familiares.

Ser mulher hoje significa enfrentar uma realidade permeada de vulnerabilidades, onde meninas e mulheres estão constantemente expostas a diversas formas de violência e abuso, os feminicídios são notícia constante nos jornais, o que contribui para um senso de insegurança que nos acompanha em todos os contextos sociais em que interagimos com homens.

Além disso, mulheres enfrentam barreiras para acessar recursos que promovam autonomia sobre suas vidas e corpos, enquanto permanecem como as principais responsáveis por tarefas de cuidado, mal remuneradas ou não remuneradas. Soma-se a isso as imposições sociais e comportamentais que exigem uma performance que afasta muitas mulheres da sua própria natureza. Constitui-se assim uma sobrecarga psíquica que pode ser adoecedora.

Nesse cenário, torna-se imperativo aos profissionais da psicologia e outras áreas da saúde dedicadas ao cuidado, considerar a perspectiva de gênero. Uma escuta clínica qualificada pode oferecer um espaço de acolhimento ao sofrimento psíquico feminino, compreendendo como as contingências de gênero afetam a saúde mental das mulheres. Essa prática pode possibilitar reflexões e a desconstrução de modelos hegemônicos, sem negligenciar as desigualdades geradas pela interseção entre gênero, raça e classe.

A perspectiva de gênero favorece o cuidado à saúde mental feminina pois possibilita às mulheres ressignificar suas experiências e falarem por si, aliviando assim o peso das relações de poder em suas vidas. Dessa forma, a psicologia pode não apenas transformar a forma como as mulheres percebem a si mesmas, mas também contribuir para a construção de relações mais justas e equitativas.







 
 
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