Autoconhecimento: um encontro consigo
- Adelice Pereira

- 10 de dez. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de dez. de 2025
É um papo batido, eu sei, mas se você chegou até aqui, sugiro um pouco mais de paciência. É uma conversa importante! “Conhece-te a ti mesmo.” Essa frase, marcada na entrada do Oráculo de Delfos, sempre me pareceu um convite ao cuidado, mais do que uma obrigação. Não se trata de uma tarefa para riscar da lista, mas de um processo de aproximação de si, um caminho feito aos poucos, em relação consigo mesmo e com os outros.
O contexto social e familiar em que nascemos molda nossa forma de sentir, pensar e agir. Ele nos dá suporte, mas também limita. Olhar para si não é se isolar da vida, nem se julgar, mas observar com curiosidade quais experiências, afetos e relações nos trouxeram até aqui, um diálogo com nossas vivências.
Quando nos permitimos perceber nossos limites, fragilidades. forças, alegrias, aprendemos a cuidar de nós mesmos e a nos relacionar de forma mais consciente com quem amamos ou com aqueles que convivem conosco. Não é sobre eliminar erros ou sombras, mas entender como eles surgem e como influenciam nossas escolhas.
Acredito que nossas versões mais autênticas se mostram no espaço seguro das relações. O autoconhecimento acontece quando nos sentimos acolhidos e podemos brincar, experimentar e sentir sem medo. Por isso, processos como a psicoterapia podem ser tão transformadores: oferecem um ambiente de cuidado que permite que nos encontremos de verdade, passo a passo.
Como dizia Spinoza, compreender a nós mesmos é entender as causas que nos determinam, nossos afetos e como eles aumentam ou diminuem nossa potência de agir. Esse olhar não julga nem culpa, apenas ilumina o caminho: ao entender nossas emoções e reações, podemos agir de forma mais consciente, sem ilusões de controle absoluto.
Olhar para si não é fácil, nem sempre é confortável, e nem precisa ser um confronto doloroso. Trata-se de aproximar-se de si com curiosidade e gentileza, reconhecendo que somos seres em construção, profundamente influenciados por nossas relações e pelo mundo à nossa volta. E, ao fazer isso, nos tornamos mais capazes de viver com presença e afeto, tanto com nós mesmos quanto com os outros.


